”- Vejo que sim. Não diga nada. Espere até ouvir tudo o que tenho a dizer. Dorian, desde que o conheci, a sua personalidade exerceu em mim a mais extraordinária influência. Você dominava-me a alma, o cérebro e as minhas faculdades. Foi para mim a incarnação corpórea do ideal invisível, cuja memória nos persegue a nós, artistas, como um sonho raro. Eu adorava-o. Tinha ciúmes de toda a gente com quem você falava. Queria que fosse inteiramente meu. Só me sentia feliz quando estava consigo. Mesmo quando se encontrava ausente, continuava presente na minha arte. É claro que nunca quis que soubesse nada disto. Seria impossível. Você não teria compreendido. Mesmo eu mal o entendia. Apenas sabia que havia deparado com a perfeição, e que o mundo se tornara maravilhoso aos meus olhos. Talvez demasiado maravilhoso, pois em tres loucadas idolatrias, existe o perigo de perdê-las, que não é menor do que o perigo de conservá-las. As semanas passavam, e eu ia ficando cada vez mais absorvido por você.”
